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SIFILIS

Você sabe a diferença entre IST e DST?

A terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) passou a ser adotada em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). A denominação D de DST, vem de doença, que implica em sinais e sintomas visíveis no organismo. Enquanto que a I- Infecção, por ter períodos assintomáticos, uma pessoa pode ter e transmitir uma infecção mesmo sem sinais e sintomas. Exemplo: Sífilis, HPV, Herpes entre outros, algumas vezes sendo detectados somente por meio de exames laboratorial. (Adele Benzaken, 2016).

As IST são transmitidas, principalmente por meio do contato sexual (oral, vaginal e anal) sem o uso de preservativos masculino ou feminino, com uma pessoa que esteja infectada. A transmissão pode acontecer ainda, da mãe para a criança durante a gestação como no caso da sífilis que apresentaremos a seguir.

O tratamento das pessoas com IST melhora a qualidade de vida e interrompe a cadeia de transmissão dessas infecções que pode ser bacteriana ou viral. O atendimento, o diagnóstico e o tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS.

Vamos conhecer um pouco sobre a Sífilis e sua transmissão

É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável e exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária). Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior e algumas pessoas não apresentam sinais e ou sintomas.

Formas de transmissão

A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada, ou ser transmitida para a criança durante a gestação ou parto quando a gestante não tem tratamento adequado pelo menos 30 dias antes do parto. Podendo acarretando abortos, parto prematuro ou sequelas para o bebê, conhecida como sífilis congênita. .

Sinais e sintomas

Sífilis primária

  • Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece entre 10 e 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias.
  • Normalmente não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.
  • Essa ferida desaparece sozinha, independentemente de tratamento.

Sífilis secundária

  • Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial.
  • Podem ocorrer manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são ricas em bactérias.
  • Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça, ínguas pelo corpo.

Sífilis latente – fase assintomática

  • Não aparecem sinais ou sintomas.
  • É dividida em sífilis latente recente (menos de Um (1) ano de infecção) e sífilis latente tardia (mais de Um (1) ano de infecção).
  • A duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

Sífilis terciária

  • Pode surgir de 2 a 40 anos após o início da infecção.
  • Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

Diagnóstico

O teste rápido (TR) de sífilis está disponível nos serviços de saúde do SUS, sendo prático e de fácil execução, com leitura do resultado em, no máximo, 30 minutos.

Nos casos de TR positivos (reagentes), uma amostra de sangue deverá ser coletada e encaminhada para realização de um teste laboratorial (não treponêmico) para confirmação do diagnóstico. Sempre levando em consideração a Clínica do paciente para inciar o tratamento.

Em caso de gestante, devido ao risco de transmissão ao feto, o tratamento deve ser iniciado com apenas um teste positivo (reagente), sem precisar aguardar o resultado do VDRL. Igualmente o parceiro sexual, iniciar o tratamento o mais precoce possível realizar TR e solicitar VDRL, o parceiro precisa ser tratado mesmo que o resultado seja negativo, conforme Protocolo de Transmissão Vertical do MS/2019.

Devido à grande quantidade de casos surgindo no país, a recomendação de tratamento imediato antes do resultado do segundo exame se estendeu para outros casos: vítimas de violência sexual; pessoas com sintomas de sífilis primária ou secundária; pessoas sem diagnóstico prévio de sífilis e pessoas com grande chance de não retornar ao serviço de saúde para verificar o resultado do segundo teste.

Tratamento

A Penicilina benzatina de 1.200.000 UI é o único medicamento eficaz no tratamento da sífilis adquirida e em gestante. O esquema terapêutico varia de acordo com o estágio clínico da doença e o profissional médico ou enfermeiro prescreverá a dose.

A administração deve ser exclusivamente por via intramuscular (IM). A região ventro-glútea é a via preferencial, por ser livre de vasos e nervos importantes, com poucos efeitos adversos e dor local (COFEN, 2016). Outros locais alternativos para aplicação são a região do vasto lateral da coxa e o dorso glúteo, avaliar a existência de prótese ou silicone nos locais indicados optando por alternativas conforme Protocolo Clinico de Diretrizes Terapêuticas do MS/2020.

REAÇÃO DE JARISH HERXHEIMER E ALÉRGIA À PENICILINA

A reação de Jarish Herxheimer é uma reação que pode apresentar durante as 24 horas após a primeira dose da penicilina em especial nas primeiras fases, primárias e secundárias da sífilis. Caracteriza-se pela exacerbação das lesões cutâneas podendo apresentar os seguintes sinais e sintomas:

Eritema (vermelhidão), prurido (coceira), mal estar geral, febre, cefaléia e artralgia, regridem espontaneamente após 12 a 24 horas (Butler, 2017) Pode ser controlada com uso de analgésicos conforme a necessidade e indicação médica, sem ser preciso descontinuar o tratamento.

Quadro de alérgia a benzilpenicilina benzatina são muito raros e, quando ocorrem apresentam-se frequentemente na forma de urticária e exantema pruriginoso, (PCDT, 2020/MS).

Caderno da Atenção Básica Nº 28, v. II, “Acolhimento à Demanda Espontânea, capitulo 2: Queixas comuns no atendimento à demanda urgência/emergências, p. 25 (BRASIL, 2013).

A Decisão nº 0094/2015, do Conselho Federal de Enfermagem -Cofen, que reforça a importência da administração da benzilpenicilina benzatina pelos profissionais de enfermagem na AB.

MONITORAMENTO PÓS TRATAMENTO DA SÍFILIS

Para o seguimento do paciente, os testes não teponêmicos (VDRL), devem ser realizados mensalmente nas gestantes e, no restante da população (incluindo PVHIV), a cada três meses até o 12ª mês do acompanhamento do paciente, (PCDT, 2020/MS).

A persistência de resultados reagentes em testes não treponêmicos após o tratamento adequado e com queda prévia da titulação em, pelo menos, duas diluições, quando descartada nova exposição de risco durante o período analisado, é chamada de “cicatriz sorológica” e não caracteriza falha terapêutica.


Sífilis Congênita

A sífilis congênita (SC) é o resultado da transmissão da espiroqueta do Treponema pallidum da corrente sanguínea da gestante infectada para o concepto por via transplacentária ou, ocasionalmente, por contato direto com a lesão no momento do parto (transmissão vertical). A maioria dos casos acontece porque a mãe não foi testada para sífilis durante o pré-natal ou porque recebeu tratamento não adequado para sífilis antes ou durante a gestação.

A Organização Mundial da Saúde -OMS estima em 300 mil mortes fetais e neonatais em todo o mundo anualmente e a morte prematura de mais de 200 mil crianças/ano no mundo em consequência da sífilis congênita. No Brasil, nos últimos cinco anos, foi observado um aumento constante no número de casos de sífilis em gestantes, sífilis congênita e sífilis adquirida, (PCDT, 2020/MS), gráfico dos casos notificados por Estado conforme BOLETIM SIFILIS 2019

Essa é uma doença que pode ser prevenida, sendo possível alcançar a eliminação da SC por meio da implementação de estratégias efetivas de diagnóstico precoce e tratamento de sífilis nas gestantes e suas parcerias sexuais (WHO, 2012). Além disso, o risco de desfechos desfavoráveis à criança será mínimo se a gestante receber tratamento adequado e precoce durante a gestação.

A sífilis em gestantes, Sífilis Adquirida e a Sífilis Congênita são agravos de notificação compulsória, uma vez diagnosticado o profissional de saúde tem o dever de preencher a Ficha de Notificação do Agravo e encaminhar para Vigilância do Município de acordo com Portaria 204/2016 do MS em conformidade com o art. 8º da Lei nº 6.259/1975.

Fichas de Notificação:

Recomenda-se que a gestante seja testada pelo menos em 3 momentos:

  • Primeira consulta no pré-natal, iniciar tratamento se teste rápido positivo e solicitar VDRL;
  • Terceiro trimestre de gestação, por volta da 28ª semana
  • Momento do parto ou em casos de aborto

Sinais e sintomas da Sífilis Congênita

Pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança. São complicações da doença: aborto espontâneo, parto prematuro, má-formação do feto, surdez, cegueira, deficiência mental e/ou morte ao nascer.

Cuidados com a criança exposta à sífilis

O principal cuidado à criança é a realização de um pré-natal de qualidade e o estabelecimento do tratamento adequado da gestante.

Todas as crianças expostas à sífilis de mães que não foram tratadas, ou receberam tratamento não adequado, são submetidas a diversas intervenções que incluem: coleta de amostras de sangue, avaliação neurológica (incluindo punção lombar), raio-X de osso longos, avaliação oftalmológica e audiológica. Muitas vezes há necessidade de internação hospitalar prolongada.

Prevenção

O uso correto e regular da camisinha feminina ou masculina é uma medida importante de prevenção da sífilis. O acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-natal de qualidade contribui para o controle da sífilis congênita.

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